BARRA FIXA: sobre a ajuda, a fase concêntrica, isométrica e excêntrica do movimento

Existem inúmeros meios de se ajudar um aluno a fazer barra. Várias técnicas de como ajudar a pessoa a fazer a primeira repetição deste exercício que é um desafio para muitos, principalmente para as mulheres.



Antes de mais nada, nenhum meio é errado. Apenas irei considerar algumas considerações (risos) sobre esta forma de ajudar demonstrada por minha aluna Elisama, que já faz barra, mas prestou esta demontração para eu poder escrever este texto. (obrigado, Eli! )

Como eu disse anteriormente, nenhuma forma é errada, mas vamos considerar alguns pontos importantes antes de continuar o texto:

Quanto a contração EXCÊNTRICA
• mais capacidade de gerar FORÇA
• mais capacidade de gerar FORÇA por Unidade Muscular recrutada
• mais ocorrência de microlesões (para uma mesma carga que a fase concêntrica)
• maior tendência à mecanotransdução (um dos processos que gera hipertrofia)

Quanto a contração CONCÊNTRICA
• Maior recrutamento de Unidades Motoras (para contração máxima)
• Maior gasto energético

Quanto a contração ISOMÉTRICA
• Maior recrutamento de Unidades Motoras (para uma MESMA carga que as outras contrações)
• Maior recrutamento de Unidades Motoras (para contração máxima)
• Maior fadigabilidade (em testes com ações máximas)

Estas informações podem se encontrar em livros de musculação e treinamento, alguns autores à se pesquisar: Charles Poliquin, Yuri Verkhoshansky, Antônio Carlos Gomes, Paulo Gentil, Pavel Tsatsouline, dentre outros.

Podemos comprovar todas as informações acima apenas em um dia de treino apropriado testando variações eficiêntes de cada tipo de contração, vamos brincar com três exemplos abaixo:

Encontre uma pessoa que já consiga fazer uma execução perfeita de barra fixa, então siga:

1º exemplo:
Peça ao indivíduo que faça 1 repetição de barra, qualquer variação. Cronometre o quanto este indivíduo demora para completar a repetição.

2º exemplo:
Peça ao mesmo indivíduo que apenas salte, segurando a barra na mesma pegada escolhida anteriormente, e segure o corpo tocando a região do colo (clavículas) na barra, cronometre e deixe-o pendurado pelo mesmo tempo demorado na contração isométrica descrita no 1º exemplo.

3º exemplo:
Peça que o mesmo indivíduo faça o movimento anterior, porém ao segurar a posição por 2 segundos execute a fase negativa (desça o corpo) bem devagar, tentando demorar o mesmo tempo que demorou para fazer a repetição no 1º exemplo.

Se nós mesmos fizermos os 3 exemplos (ALTAMENTE recomendável) ou entrevistarmos o indivíduo após as três tentativas, e só depois lermos as informações acima, saberemos na PRÁTICA que todas elas são verdadeiras.

No 2º e 3º exemplos, certamente fariamos com uma sobrecarga no corpo, para o mesmo tempo de repetição do 1º exemplo. Partindo daqui, é só raciocinar que podemos associar perfeitamente à prática com a teoria.

Onde quero chegar com tudo isso?

Ao pensarmos em ajudar um aluno a fazer barra, supondo aqui que este indivíduo já tenha todos os pre-requisitos para iniciar este trabalho (fortalecimento e resistência da pegada, consciência do movimento escapular, mobilidade adequada dos ombros, etc etc) temos de pensar naqueles 3 exemplos teoricos em nossa prática.

Como nosso aluno de exemplo, supostamente, não consegue executar uma ação concêntrica da barra (não consegue fazer a primeira repetição) ele provavelmente consegue fazer a ação isométrica e excêntrica do movimento. Se ele não consegue executar nem a ação isométrica, nem a ação excêntrica, então ele ainda não esta preparado para fazer esta forma demonstrada no vídeo, existem outros padrões à serem trabalhados antes de colocá-lo sob este tipo de estresse.

Conseguindo fazer a ação isométrica e excêntrica, podemos ajuda-lo apenas na fase concêntrica, o que uma máquina (gravitron, maquina de barra assistida, etc) não faria, pois estas máquinas ajudam tanto a fase concêntrica quanto a fase excêntrica. Quando NÓS ajudamos, temos o controle do quanto de ajuda colocamos em cada fase, tendo em mente as "regras" teóricas dita primeiramente, podemos atuar da melhor forma em cada fase do movimento.

Se o aluno saltar na barra e executar a fase excêntrica, ele está deixando de trabalhar a fase concêntrica, lembrando que a especificidade das ações é importante. Existe a transferência de força entre uma e outra ação, porém a especificidade é muito importante. Na periodização pode-se incluir todas estas fases e trabalhar cada uma delas em uma sessão/semana/periodo, para que no final do planejamento o aluno consiga executar todas as ações (concêntrica, isométrica e excêntrica) com domínio do movimento completo.

Como já disse no início do texto, nenhuma forma é errada, este texto apenas apresenta uma forma de ajuda e alguns pontos importantes da teoria (ciência) à serem considerados na hora da elaboração da periodização/planejamento de um aluno que ainda não consegue fazer uma repetição de bara fixa.

Para quem diz que na Universidade não se aprende nada, teoria não quer dizer nada, o que vale é a prática e etc:
"Quase tudo que eu sei até hoje sobre minha profissão eu ví (mas nem tudo aprendi) na Universidade. Eu apenas não tinha a visão adequada e madura para entender naquele momento. É por isso que livro bom, filme bom, música boa, a gente deve ver mais de uma vez. É melhor assistir, ler, ou ouvir algo repetido, porém bom e clássico, do que perder o tempo com algo novo e ruim." ~ Alexandre Castro Alves

Sem treino (prática) perde-se de se entender a teoria;
Sem estudos (teoria) perde-se de se entender a prática;
Um sem o outro não faz uma "banda" completa;
Uma "banda" completa se faz com referências clássicas;
As referências clássicas estão nos livros e filmes antigos, estão nos estudos!


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SUPORTE DO CORPO

A força da pegada das mãos são fatores fundamentais para o avanço em qualquer exercício de puxar.
Um dica para colocar sua força de puxar num nível superior é treinar a pegada falsa (saiba mais em: http://goo.gl/gBgGtw).
Suportar o corpo parcialmente em uma mão e fazer puxadas em pegada falsa, além de fortalecer o antebraço e a força das mãos, irá ajudar a progredir para variações mais complexas e avançadas no movimento de puxar, por exemplo o muscle up!




Se a barra fixa já foi um movimento conquistado, tente os movimentos demonstrados no vídeo pela Giuliana: suportar o próprio peso do corpo com um braço estendido usando pegada falsa, depois fazer puxadas mantendo as duas mãos em pegada falsa.

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CORDA / PUXAR

Após fazer a primeira barra, que é desafio para alguns, a brincadeira não para.
Iniciando os trabalhos para suportar o corpo com apenas uma mão pode ter um toque mais dinâmico ao se trabalhar a subida na corda.
Subir na corda requer uma força de puxar dos membros superiores em dia. A capacidade de suportar o corpo em apenas uma mão é um fator que irá ajudar muito a escalar uma corda usando somente a força dos braços e sem auxílio das pernas (como demonstrado no vídeo abaixo pela Vivianne).



No treinamento com o peso corporal as progressões são infinitas! Não se aumenta somente os pesos como na musculação, mas sim são ensinadas e introduzidas novas técnicas e novas progressões para que se aprenda a usar mais ou menos vantagem mecânica em uma alavanca. A luta é constante contra a gravidade e o peso do próprio corpo, o que faz com que o sistema neural seja o tempo todo ativado e desafiado à aperfeiçoar os novos movimentos que são ensiandos em cada etapa.

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PUXAR

Um dos movimentos de puxar mais tradicionais que existem é a barra.
Segurar o próprio peso do corpo e puxá-lo até que as mãos toquem nos ombros é um parâmetro de força que devemos trabalhar em todo e qualquer aluno, independente da idade ou gênero.

Fazer a primeira repetição de barra abre o caminho para diversos outros movimentos com os membros superiores, por exemplo, o muscle up.

Sem fazer uma barra, não só a capacidade de movimento fica limitada, mas também o ganho de força e hipertrofia. Pode-se fazer infinitas puxadas de pulley, infinitas remadas na máquina, que sem a força de executar no mínimo uma barra fixa o desenvolvimento do tronco e membros superiores será limitado, claro que isso cabe aos que não usam nenhum tipo de recurso ergogênico ilícito.



Lembre-se que o movimento pode sempre começar de uma forma menos intensa (primeiro movimento do vídeo, onde temos a ação isométrica e excêntrica do movimento, executado pela Edna) até uma forma mais intensa (segundo movimento, no qual vemos a Marcia executar uma barra com sobrecarga no corpo). O movimento não para em aumento de intensidade, sendo que podemos (E DEVEMOS) aumentar também a complexidade, ou seja, mudar para progressões/variações de barras com uma mão, sequências/combos que envolvam o movimento de puxar (muscle ups e variações), entre outros.

Investir na força de puxar e executar a primeira barra fixa certamente irá abrir várias portas para o desenvolvimento muscular, de força e de movimento de todo e qualquer indivíduo: ACREDITEM!

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FLEXIBILIDADE + FORÇA



Usando uma parede, cole os calcanhares na parede, mantenha as pernas totalmente estendidas, abrace as pernas, toque as mãos no chão, se afaste até que o tronco com as pernas fiquem numa abertura de 90º, faça uma flexão de braços mantendo o ângulo de 90° do tronco com as pernas... Vote a posição inicial.

Lembrem-se: Flexibilidade sem força não significa nada! Força sem flexibilidade também não significa nada!

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ALINHAMENTO DO CORPO



Existem inúmeras variáveis para um bom alinhamento corporal: boa flexibilidade da cadeia muscular posterior, dos ombros (flexão/extensão/etc), dos quadris... Enfim, depende muito de pessoa para pessoa. Mas no geral a mobilidade/flexibilidade é um dos principais fatores da falta de postura e capacidade de alinhamento corporal.

• Mas por quê o alinhamento?
Em diversos movimentos temos uma grande vantagem em conseguir alinhar o corpo propriamente, encaixando quadril e ombros, dentre estes movimentos estão: handstand, jerk, clean, snatch, back squat, front squat, deadlift, press / military press, entre infinitos outros! Com boa mobilidade conseguimos vantagem mecânica nos movimentos, assim temos vantagem em intensidade para uma execução mais perfeita e/ou mais eficiente.

Não existe um corpo com postura e alinhamento sem flexibilidade/mobilidade!
Não existe um corpo com postura e alinhamento sem força/consciência corporal!

Invistam no alongamento, mobilidade e no alinhamento/postura do corpo! TODOS os movimentos que o corpo produz serão eternamente gratos por isso!

No vídeo: minha aluna Luciana trabalhando o alinhamento do corpo no chão para consciência da retroversão do quadril, flexão dos ombros e contração abdominal, para melhora indireta na posição de handstand.

Prof. Alexandre Castro Alves

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Sobre os movimentos avançados


Não existe sucesso sem uma preparação adequada!

Movimentos avançados (tal como o straddle planche, da foto) precisam de um preparo adequado do corpo, desde mobilidade das articulações envolvidas até o fortalecimento dos músculos necessários para o movimento.
Estes movimentos avançados vão além das progressões sabidas e populares (flexão, sapinho/frog stand, tuck planche, planche no elástico, straddle planche... planche). A conscientização das escápulas, preparação das articulações envolvidas (punhos, ombros e cotovelos), contração correta do abdome, são tão importantes quanto as progressões de intensidade, principalmente para iniciantes.
Só para adequar todos estes detalhes em uma pessoa iniciante leva alguns meses (isso mesmo: meses!). Não tenham pressa na conquista dos movimentos de vocês, pois já dizia o grande sábio: a pressa é inimiga da perfeição.

Gastar um tempo no básico (aperfeiçoando a mobilidade e fortalecendo articulações) fará com que o progresso seja constante e não tenha tantas paradas em função de lesões.

O básico pode nos levar aos movimentos avançados, mas nem sempre os movimentos avançados nos dá o básico. Sendo específicos à um movimento ou padrão de movimento, nos torna especialistas em um movimento "tal", isto muitas vezes (sempre) pode ser ruim, pois muito de um padrão de movimento irá causar desequilíbrio e isso pode gerar dificuldades em outros movimentos e habilidades, ainda pode até levar à uma lesão. Lembrem-se: tudo que é demais; sobra.

A padaria que faz o melhor pão nem sempre tem o empresário mais rico, tal qual o empresário de padaria mais rico nem sempre é o que produz o melhor pão. Reflitam.

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#acafitnessSTRENGTH
#ResultadoFalaMelhorQuePalavras
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Dica sobre a mobilidade/flexibilidade



Quando se aumenta a intensidade dos treinamentos de força, sua periodização, automaticamente deve ter aumentos na intensidade dos exercícios/treinos de mobilidade. Assim os ganhos feitos na jornada de flexibilidade/mobilidade se mantêm.
Treinar flexibilidade/mobilidade requer também intensidade controlada e periodizada, apenas os métodos convencionais de alongamentos estáticos não irão provocar melhoras SIGNIFICATIVAS na amplitude de movimento das articulação. Para uma melhora significativa existem inúmeros métodos que são necessários para trabalhos efetivos, tal como o método balístico, passivo, ativo, FNP, Contract-Relax approach, técnicas respiratórias, alongamento de carga progressiva (vídeo), entre outros.

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COMUNICAÇÃO Entre Professor e Aluno



Imagine uma pessoa que nunca sequer pegou numa barra na vida. A experiência corporea é pouca, não conhece termos técnicos como abduzir, retrair, protrair, aduzir, elevar, flexionar, etc.
Aí o professor pede que faça um movimento do qual ela nunca ouviu falar e nunca viu ninguém fazendo, ou se viu, nem reparou o que nem como acontece, muito menos sabe o porquê.
O professor demonstra, mas o movimento por ter várias partes do corpo a se contrair não sai como o pedido.
Muitas vezes para nós professores parece fácil, mas para o aluno é diferente, é difícil... Analogia:

• Para o professor significa:
Faça 1 Barra

• Para o aluno é como pedir:
Faça 1.5 Twisting Kovacs na barra (muitos professores não sabem o que é... É como o aluno se sente)

○ Para o professor significa:
Faça 15 saltos no step

○ Para o aluno é como pedir:
Faça um triple twisting double backflip no chão (alguns professores sabem o que é... Mas não sabem como executar. No caso do aluno, é como se mesmo sem saber como e só sabendo o que é, ele tentasse executar; não ia acabar bem!)

Onde eu quero chegar com isso?
As vezes vemos ordens sendo dadas mas é nítido que o aluno não tem a informação daquela ordem ou o domínio da consciência necessária para executá-la.

"não arque as costas"
Como? Onde?

"desça até embaixo"
Como? O que? Embaixo da onde?

O aluno deve saber o que e onde, tal qual o como e porquê. Assim a culpa não é mais do professor.

O professor deve comunicar com antecedência aquilo que ele quer e ensinar previamente as bases do movimento exigido. Se não continuaremos a ver pedidos de "desça até embaixo" mesmo que o aluno não saiba "onde é embaixo" e tão pouco tenha a mobilidade necessária para fazer um movimento mais amplo com segurança.

A técnica e consciência corporal se constroem com tempo, bastante séries e poucas repetições, e sem fadiga. Então investir em movimentos mais curtos ou pedaços de movimentos é uma ótima estratégia para corrigir um movimento inteiro. Como no exemplo do vídeo, minha aluna Edna executa o Deadlift/Lev.Terra dos blocos (steps) para que a barra fique na altura do joelho dela, ou seja, tira-se 50% da amplitude de movimento, assim pode-se focar onde eu quero que ela foque, no caso do vídeo: retração das escápulas. Assim da próxima vez que eu pedir "postura... escápulas", ela irá saber exatamente o que é que eu quero.

Na periodização pode-se incluir todos os pedaços dos movimentos e exercícios acessórios adequados para que quando chegar no final do planejamento o aluno melhore todos os aspéctos atacados na planilha e alcance os objetivos estipulados.

Comunicação, não importa como, com que nome, se flexão, se dobrar, se extensão, se esticar... Tanto faz, o importante é saber comunicar ao aluno onde, quando e como movimentar aquilo que for preciso na hora certa que for preciso.



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PEGADA FALSA



A pegada falsa (false grip) é fundamental no processo de desenvolvimento para o muscle up (http://goo.gl/htgaEH).

A pegada falsa é o início do movimento, sem essa pegada não será possível fazer o primeiro muscle up sem que exista o kipping/balanço.

Como fazer a pegada falsa?



Um bom começo, antes de pendurar seu corpo todo usando esta pegada, podemos fazer remadas, assim aos poucos iremos calejando e adaptando as mãos/punhos à esta pegada:




Pratiquem a pegada de vocês! E se o muscle up está dentre os movimentos à dominar, esteja preparado para calos de "suicídio", nomeado segundo nossa aluna Elisama, que são os calos nos punhos, além dos calos "normais" da palma da mão.

Que a força esteja com vocês!


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FORÇA da PEGADA e as MÃOS

As mãos são importantes para todo e qualquer exercício que envolva os membros superiores (MMSS).
Num levantamento terra (deadlift), numa remada, puxada, barra... Entre vários outros exercícios a força da pegada é fundamental na performance e desempenho destes movimentos.
Existem várias estratégias para fortalecer a pegada. Vários "aparelhinhos", como aquelas "molinhas" que você compra para ficar apertando.
Bom, digo que com progressões adequadas somente no trabalho de chinup/pullup a força da pegada será muito bem desenvolvida.
O simples fato de se suportar, de aguentar o seu próprio peso com as próprias mãos já nos dará força de sobra para trabalhar com outros exercícios de carga externa.
Não é atoa que nossos alunos não usam luvas. Nossas mãos, com o passar do tempo foram ficando frágeis, pois deixamos de usá-las. Por tanto, "meter a mão na massa" é um processo necessário e essencial para adaptações que irão nos dar mais força e nos tornar menos frágeis.
Os calos são necessários, a resistência à dor também! Quanto mais dor suportamos, melhores seres humanos seremos.
Então experimentem o quanto a força das suas mãos podem te ajudar; será que você aguenta seu corpo nas duas mãos, em uma mão, pedurando, braço flexionado... Por quanto tempo?



No vídeo nossa aluna Vivian demonstrando o suporte do próprio corpo nas argolas em ambas as mãos.
Existem trabalhos que relacionam a força da pegada (dinamometria) à qualidade de vida e longevidade.
Deixem um pouco as luvas e straps de lado... Só após uma força básica da pegada é que estes aparatus serão bem-vindos.

Que a força esteja em vossas mãos!


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Privação Visual no Exercício

Já é sabido que a privação visual tem efeito benéfico em teste de 1RM e de repetições máximas e trás uma percepção subjetiva de esforça menor. Então quanto a força e esforço máximo sabe-se que 'fechar os olhos' irá ajudar a recrutar mais unidades motoras.

Mas e no equilíbrio?
Para o equilíbrio basta a gente ficar em apenas uma perna e fechar o olhos e já teremos a resposta. Com equilíbrio, se fechar os olhos, o "buraco fica mais embaixo", é mais difícil de manter o equilíbrio.
Porém, nem sempre aquilo que piora um movimento é ruim, pois piorar o movimento (com privação visual) pode melhorá-lo quando "voltar" a enchergar.
Você fazer um movimento com os olhos fechados altera nossa secreção hormonal, altera a nossa ativação cerebral, além de tornar-se um desafio maior ao executar um movimento e manter o controle corporal. Não é atoa que o ninja assassino, Raizo, em sua juventude, fica por anos com os olhos vendados. (rsrsrs)



Ao fechar os olhos, nós saimos do mundo exterior e entramos no nosso mundo interior. Podemos prestar mais atenção em cada "canto" do nosso corpo que a gente movimenta mas não toma consciência disso e "ver" de forma diferente o espaço físico que nosso corpo ocupa no ambiente.

No caso de um handstand, sentir o solo nas palmas das mãos e "visualizar" onde seu corpo se posiciona no espaço é uma tarefa completamente diferente quando de olhos vendados.

Aos praticantes de Jiu-Jitsu, vale experimentar fazer uma luta inteira, no chão, de olhos fechados. Vai descobrir que a percepção de onde e como está o corpo do seu adversário será completamente diferente, afetando em qual decisão tomar dependendo de cada movimento, toque e som.

Não é a primeira vez que falo da importância de uma periodização, então mais uma vez volto a dizer: o planejamento e organização fazem toda diferença no resultado a médio e longo prazo. Dentro de uma programação adequada pode-se incluir exercícios com privação visual, e isso não vale só para o handstand e exercícios de equilíbrio, mas vale a experiência de fazer um agachamento, terra/deadlift, supino/bench press, movimentos olímpicos (com supervisão e SEM carga) com os olhos fechados. Seu corpo e cérebro vão agir e se adaptar completamente diferente à este estímulo. E tenha certeza que esta experiência trará muitos benefícios, além daqueles que podemos ver.

por: Prof. Esp. Alexandre Castro Alves


DICAS DE LEITURA
Geralmente não escrevo referências, apesar de TODAS as minhas postagem sobre métodos e treinamentos ter embasamento na ciência, pois acho que todo profissional deveria fazer as referências por sí, não me entendam mal, não é "inventar" as coisas, mas sempre que ouvir, ver ou ler sobre algum método ou algo que desconheça, que seja diferente, etc... O próprio profissional deveria pesquisar e adquirir referências sobre o assunto. Artigos, livros, cursos, workshops, consultorias, etc... O conhecimento é grátis até certo ponto, ele custa muito mais FORÇA DE VONTADE e DEDICAÇÃO do que dinheiro.
Mesmo sabendo que alguns da pouca e mínima minoria que ler este artigo irá ler as referências, abaixo deixo alguns artigos para os mais interessados e também aos que pensam que "fechar os olhos" é besteira, macaquisse, coisa de circo, etc etc etc...

• Martin Simoneau, et al. Sensory deprivation and balance control in idiopathic scoliosis adolescent. Experimental Brain Research. April 2006, Volume 170, Issue 4, pp 576582
• Saulo Costa, et al. Influência da privação visual no teste de uma repetição máxima e na predição de carga. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, ano 11, nº 36, abr/jun 2013
• Isabelle V Bonan, et al. Reliance on visual information after stroke. Part II: effectiveness of a balance rehabilitation program with visual cue deprivation after stroke: a randomized controlled trial. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Volume 85, Issue 2, February 2004, Pages 274–278
• Arianna Maffei, et al. Selective reconfiguration of layer 4 visual cortical circuitry by visual deprivation. Nature Neuroscience 7, 1353 1359 (2004)
• Luana Mann, et al. Effect of low back pain on postural stability in younger women: Influence of visual deprivation. Journal of Bodywork and Movement Therapies, Volume 14, Issue 4, October 2010, Pages 361–366
• Arianna Maffei, et al. Potentiation of cortical inhibition by visual deprivation. Nature 443, 8184 (7 September 2006) | doi:10.1038/nature05079; Received 22 April 2006; Accepted 14 July 2006; Published online 23 August 2006
• Ania Majewska and Mriganka Sur. Motility of dendritic spines in visual cortex in vivo: Changes during the critical period and effects of visual deprivation. PNAS, December 23, 2003 vol. 100, no. 26
• HaiYan He, et al. Visual Deprivation Reactivates Rapid Ocular Dominance Plasticity in Adult Visual Cortex. The Journal of Neuroscience. 26(11): 29512955; doi: 10.1523/JNEUROSCI.555405.2006
• Alex Souto Maior, et al. Resposta da força muscular em mulheres com a utilização de duas metodologias para o teste de 1RM. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.4, n.24, p.587-592. Nov/Dez. 2010. ISSN 1981-9900
• Ring, C., Nayak, U. S. L. and Isaacs, B. (1989), The Effect of Visual Deprivation and Proprioceptive Change on Postural Sway in Healthy Adults. Journal of the American Geriatrics Society, 37: 745–749. doi: 10.1111/j.1532­5415.1989.tb02237.x
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Sobre os Exercícios de MMII Utilizando o Peso Corporal

Quando se fala de exercícios de calistenia (exercícios que utilizam do peso corporal) logo se pensa em barras e flexões. Mas e os membros inferiores (MMII)?

Muito bem...

Existem diversos exercícios eficientes que utilizam de apenas o peso corporal como resistência. Porém, apenas o peso do corpo como resistência (para membros inferiores) não é suficiente!
Com o tempo o organismo irá se adaptar e o indivíduo estará apto a usar seu corpo como um todo e em diversos ângulos, planos e movimentos se tratando da própria resistência. Este é o ideal ACAFitness.

Então NÃO... Somente exercícios com peso corporal para membros inferiores NÃO são suficientes para um trabalho completo.

Os membros inferiores buscam intensidade e devem ser sobrecarregados com tal.



No vídeo, nossa aluna Roberta executa várias repetições da combinação de Pistol com Shrimp Squat (shrimp squat é um dos exercícios mais difíceis de membros inferiores junto com o GHR (saibam mais dele aqui: http://goo.gl/YkoN0m) mesmo após ter feito toda sua rotina de agachamentos (extensa sessão de Back Squat) e mobilidade da cadeia posterior.

Conclusão
Não baseiem seus treinamentos de MMII somente em exercícios com o peso corporal. Eles são sim muito úteis e precisam ser dominados (isso é força BÁSICA), porém os maiores benefícios e resultados em termos de força, potência, agilidade, velocidade e hipertrofia em MMII virão de exercícios básicos com carga externa: Back Squat, Front Squat, Deadlift, Snatch, Clean, Power Snatch, Power Clean, Saltos com Cargas, Pliometria e etc.

DOMINE SEU PRÓPRIO CORPO, ganhe força e mobilidade para se movimentar de forma natural e o mais livre possível, depois disso intensique o treinamento com CARGA. Agache pesado! Puxe os pesos do chão! De forma organizada e periodizada tudo isso cabe perfeitamente na sua rotina e dentro dos seus objetivos.

Sem intensidade, não existe responsividade! ;)



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COMPLEXIDADE

Um ponto negativo (dentre outros positivos) dos exercícios com peso externo (supino, remada, biceps, tríceps, etc) é a dificuldade para o aumento da complexidade. Conseguimos aumentar a intensidade, volume, densidade, etc... Mas a complexidade fica prejudicada.

Mas o que é a complexidade? 
Do dicionário Aurélio:
com.ple.xo (cs) [Lat. complexu. ◘14] adj. 1. Que abrange ou encerra muitos elementos ou partes. 2. Observável sob diferentes aspectos. 3. Confuso, complicado. 4. Composto por elementos de naturezas distintas. 5. Mat. Que tem uma parcela real e outra imaginária: número complexo (q.v.). • sm. 6. Grupo ou conjunto de coisas, fatos ou circunstâncias que têm qualquer ligação ou nexo entre si. Psiq. 7. Grupo de ideias inconscientes inter-relacionadas e ligadas a afetos, que influenciam fortemente as atitudes e o comportamento de um indivíduo. [A ideia ou sentimento central são ger. mencionados: complexo de inferioridade, etc.]

Então tomemos para nós como complexidade sendo 1, 4 e 6.
O exercício complexo é aquele que você precisa PENSAR mais. Que não é tão fácil acertar a técnica de primeira. Que exige mais do nosso sistema neuromuscular.

Devemos sempre estar desafiando o sistema neuromuscular com tarefas mais complexas, para que ele se adapte e torne as tarefas anteriores ainda mais fáceis. Veja o exemplo abstrato abaixo:

1. Flexão de Braços de Joelhos + Pranchinha + Agachamento
2. Flexão de Braços Normal + Pranchinha com pé na bola + Agachamento com Carga
3. Flexão de Braços com Pé no banco + Handstand(HS) na parede por 10 segundos + Agachamento com salto
4.  Flexão de Braços com Pé na Bola + HS na parede por 30 segundos + Pliometria e técnicos de rolamento para trás
5. Flexão "Jackknife Pushup" + HS na parede por 60 segundos + Força/Agachamentos/Pliometria/Saltos com técnica de backflip/mortal
6. Flexão NEGATIVA em HS na parede + Tecnico de HS livre + Força/Agachamentos/Pliometria/Saltos com técnica de backflip/mortal
7. Flexão "Headstand Pushup" + Saltos backflip
8. Tuck para Handstand para Backflip (vídeo)


Podemos observar aqui que de vários exercícios, iremos aumentando a complexidade e intensidade até chegar em apenas UM muito mais complexo e intenso.

O processo é lento, demorado, e INFINITO... Pois sempre poderemos aumentar a complexidade e assim carregar a intensidade para níveis maiores.
Enquanto isso, nos exercícios supino, remada, bíceps, tríceps e etc podemos apenas aumentar a intensidade e volume (peso e repetições/séries). Muscularmente falando isso é muito bom e necessário, porém para o sistema neuromuscular são exercícios pobres. Lembrando que estou citando um ponto "negativo" dentre outros positivos, nenhum exercício é descartável, este texto apenas trata e chama a atenção para a utilidade da complexidade no treinamento/exercícios.

Incluir a força, o equilíbrio e a potência nos nossos planejamentos certamente irá mudar todos os aspectos da nossa periodização e trará vários benefícios e resultados. Mas incluir o fator COMPLEXIDADE irá nos levar à um patamar muito mais alto no treinamento e preparação física.

Sejam complexos... Invistam em complexidade! ;)


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THE FORCE

Já temos vários exemplos de que o trabalho e ganho de força aumenta drasticamente a resistência muscular. (https://goo.gl/ZkbzTs) e (https://goo.gl/XHJfDh)

Com um trabalho focado no desenvolvimento da força pura e na correções dos pontos fracos conseguimos aumentar drasticamente o número de repetições em exercícios com progressões/cargas inferiores, mesmo sem treinar especificamente para este aumento de resistência.



No vídeo mais uma prova disso: Vivianne executa 10 reps de Transição de Muscle Up, sendo que nunca treinou especificamente para isto. Porém os treinos intensos em força e a prática de movimentos mais complexos de força tornam possível tal feito.
Então, o fato de preparar bem a força muscular pode ser um grande trunfo quando se tratar de usar a resistência muscular em exercícios inferiores a nível de complexidade e intensidade.

May the force be with you!
E que a força esteja com você!


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Tempo da fase EXCÊNTRICA e ISOMÉTRICA

Todo e qualquer movimento possue sua fase de contração concêntrica, excêntrica e isométrica. Cada uma das fases agindo mais ou menos, dependendo do planejamento e variáveis a manipular.
Já falamos à muito tempo atrás sobre a manipulação do Tempo (uma variável muito importante, assim como Série, Repetições, Intervalo de Descanso), leia sobre a importância do Tempo no exercício aqui: http://goo.gl/rdVbaS
Manipular a fase excêntrica como a fase isométrica (pausas em determinados ângulos no arco de movimento) muda completamente a perspectiva do exercício.



No vídeo, nossa aluna Luciana demonstra a fase Excêntrica do Muscle Up em todas as fases (Supporte, Ring Dip, Transição, False Grip Chinup, Hang L-Sit). No exercício demonstrado ela segura 10 segundos na posição de suporte nas argolas, 10 segundos na posição baixa de ring dip, 5 segundos na posição alta de false grip chinup, e 5 segundos na posição pendurada em L com pegada da águia.
Então foram 4 exercícios em série, pouco mais de 30 segundos exposta à tensão exercida pelo exercício e a gravidade. Diferente de fazer um Muscle Up em 3-4 segundos, quando se fica mais de 30 segundos exposto a tensão de um exercício (independete de quantas repetições se faz) seu sistema energético e sistema muscular age completamente diferente.

Observem o tempo de exposição ao exercício, quanto tempo vocês ficam sob tensão. Isto é tão importante quanto o número de repetições que se faz de determinado exercício. Afinal de contas... O músculo não sabe contar. Uma repetição que dure 30 segundos, ou 5 repetições que dure os mesmos 30 segundos? É igual, mas é diferente. Para decidir isso deve-se analisar o indivíduo em questão e quais os objetivos mais importantes e os pontos mais comprometidos (pontos fracos).

Entendendo melhor como o organismo funciona, como o sistema energético produz energia, como funciona o sistema de contração muscular, entendendo e dominando as progressões e variações do exercício e método à usar, irá dar as melhores respostas para decidir quando usar mais ou menos tempo em cada fase da contração muscular seja lá qual for o exercício e/ou objetivo em questão.


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SASS vs BAS (Exercícios de Força com Braço Reto vs. com Braço Flexionado)

Straight Arm Scapular Strength (SASS) vs. Bent Arm Strength (BAS)

São duas formas de dividir os exercícios para membros superiores. Oriundo da ginástica, esta divisão separa os exercícios que requerem que o braço fique o tempo todo reto/estendido dos que onde o braço pode flexionar.

Na musculação seria (MAIS OU MENOS) como separar os exercício de ombro uniarticulares (elevação frontal, elevação lateral, pullover, pulldown, flyes/crucifixos, etc) com os exercícios de peito e costas (supinos, desenvolvimento militar, puxadas e remadas).

Os exercícios que pedem o braço reto (SASS) requerem uma força grande da região escapular e dos ombros. Press Handstand, Planche, Back Lever, Front Lever, Skin the Cat, entre outros, são exercícios fundamentais para um bom desenvolvimento da força das escapulas e dos ombros.

Os exercícios que pedem o braço flexionado (BAS) requerem grande força dos braços. Handstand Pushups, Dips, Pullups/Chinups, Muscle Ups, etc, são exercícios que exigem força, vagamente falando, de puxar e empurrar dos braços, desde os musculos da articulação do cotovelo até os das articulações dos ombros.

Ambos os tipos de exercícios e suas progressão são fundamentais em um programa de treinamento. De forma periodizada e organizada pode-se (e DEVE-SE) desenvolver ambos: SASS e BAS.

Especialmente os exercícios do grupo SASS são essenciais para o desenvolvimento da força escapular, e esta força estará ligada DIRETAMENTE nos exercícios de BAS. Se a escapula tiver força e estabilidade suficiênte para executar exercícios de resistência com o peso corporal estando com os braços retos, então com o braço flexionado tudo será mais fácil.
Quando com os braços retos toda alavanca fica com uma desvantagem mecânica maior, isso faz com que haja mais tensão na musculatura exigida, então tornando seu corpo mais forte e resistente naquela articulação.

Pode-se também misturar os dois grupos de exercícios. Assim como na musculação. Quantas vezes já viu bi-set de crucifixo com supino, elevação lateral com desenvolvimento com halteres, etc...

No vídeo temos um exemplo de um complexo envolvendo ambos (SASS e BAS), primeiro com o Press HS de forma concêntrica e logo o 90° Handstand Pushup de forma excêntrica.

A ativação neural para cada grupo de exercícios é bem diferente. Toda vez que ficamos com os braços retos é mais dificil de estabilizar e "pensar" no movimento. Isso exige treino.

Como inserir exercícios de SASS em seus treinos?

Pode começar com exercícios com halteres:
A1) https://www.youtube.com/watch?v=FrKk2uaghpA
A2) https://www.youtube.com/watch?v=zlacrCGc3zM

E também com exercícios mais simples:
B) https://www.youtube.com/watch?v=qQIIrL-zGlY
Reparem que o eixo de movimento aqui está na articulação do ombro e os braços ficam retos o tempo inteiro.

Como a força das escápulas tem fundamental importância nestes exercícios, leiam este artigo que fala melhor sobre as escápulas: http://acafitness.blogspot.com.br/2014/04/a-forca-escapular.html


Após um tempo de prática já terá consciência corporal suficiente para inserir exercícios mais avançados e continuar a progredir em AMBOS os grupos de exercícios, SASS e BAS.
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Sissy Squat

Esse exercício é polêmico. Tem quem diga que ele lesiona os joelhos, sobrecarrega tendões e etc. Mas... Toda regra tem sua excessão.
Com os exercícios, assim como na vida, não existe certo e errado. Bom ou mal. Tudo DEPENDE.

É complicado dizer isso na comunidade científica, pois para a ciência não pode depender, é sim ou não, bom ou mal, certo ou errado. O cinza muitas vezes não existe, ou é preto ou é branco. Ciência é número, e precisa ser assim se não nunca tem conclusão alguma. Para a ciência o sissy squat é ruim. Ponto. Mas para determinado público! Assim como esteróides anabolizantes para pessoas jovens saudáveis faz mal e trás muitos riscos, para pessoas com HIV positivo podem levar à um aumento de peso e levar a um melhor funcionamento físico e melhor qualidade de vida. E olha que engraçado: o uso de esteróides anabolizantes tem sido associado com aumento das taxas de HIV em pessoas que compartilham agulhas ou o uso de agulhas não estéreis, quando eles injetam esteróides. Então se você não tem HIV e usa esteróides anabolizantes, se compartilhar as agulhas já tem risco maior de adquirir a doença.
O mesmo conceito para o exercício: população errada para exercício errado, vai dar merda!

Para membros inferiores os exercícios mais efetivos são os básicos (Back Squat, Front Squat, Deadlift, Snatch, Clean & Jerk). O Sissy Squat, apesar de ser um exercício de força, na minha metodologia ele entra como exercício de Pré-Reabilitação.

Como assim "pré-reabilitação"?
Usando-o como exercício de fortalecimento prévio aos tendões, ele se classifica como bom exercício. Mas assim como qualquer medicamento, ele precisa de dosagem certa em população certa, se não faz muito mal.

Vou colocar algumas dicas para diminuir a chance de erro na hora de prescrever esse exercício:

1) população
Quem vai fazer? Precisa ser um indivíduo já adaptado com movimento (dançarinos/bailarinos, praticantes de parkour/freerunning, por exemplo). Pois indivíduos que lidam com movimentos bruscos precisam estar preparadas para o imprevisto. Nosso corpo não é uma linha reta, não age de forma padronizada todo o tempo. Imprevistos VÃO acontecer, e é melhor estar preparado para tal.

2) intensidade
Quanto? Neste exercício não se deve utilizar altas repetições. É um exercício de força e uniarticular, que assim remete-se à no máximo 5 repetições. Mais do que isso, tem alguma coisa errada; ou pecou no quisito #1 acima (população) ou esta fazendo de forma errada (se precisa segurar ou apoiar em alguma coisa, o exercício já não está adequado, existem OUTRAS PROGRESSÕES que irão colocar menos tensão nos joelhos/tendões e de forma progressiva você irá aumentar essa tensão, de acordo com a adaptação do seu corpo até chegar na progressão final... Isso demora muitos meses, não acontece do dia para a noite).

3) descanso
Sendo um exercício extremamente tensional, o tempo de intervalo entre séries deve ser maior (2-3 minutos). A frequência com que se usa ele na semana também deve ser baixa. Depende muito no nível de treinamento da pessoa e outros fatores, mas no geral - NO GERAL, uma vez por semana (dependendo de quais outros exercícios o praticante irá fazer em conjunto) já é suficiente e irá trazer resultados.

4) experiência
Saber o que está fazendo! O ideal deste exercício é fazê-lo sem apoiar em nada com as mãos e chegar com as costas à ao menos um palmo do chão e voltar com total controle. Eu já fiz e faço isso e nunca tive dor no joelho e tenho 180cm de altura (o que aumenta a alavanca no joelho).
Se quem vai passar o exercício já fez e sentiu no próprio corpo os efeitos, será mais fácil saber quanto, como e onde usar. Se não, ficará vago a segurança do aluno. Se for usar ele para próprio treinamento, aprenda de alguém que tenha experiência com exercícios/movimentos com o peso corporal, será mais seguro.

5) motivo
Por que quer fazer? Por que quer passar esse exercício?
"Há... Para isolar o quadríceps... Ganhar hipertrofia"
R: Então vai t*(&% n s3 c&¨!
Já está errado! Se quer hipertrofia, vai agachar pesado e muitas vezes!
Esse exercício, ou melhor, movimento, serve para trabalhar com movimento! Preparação de articulações! É outro departamento.

É como a flexão de punhos (https://www.youtube.com/watch?v=PvP2OhIkRbE), se não estiver preparado para fazê-la, é ÓBVIO que irá machucar! Mas se não SE PREPARAR para fazê-la irá se machucar por outras vias (fazendo Handstand/parada de mãos, por exemplo).

NÃO EXISTE EXERCÍCIO ERRADO, EXISTE CORPO DESPREPARADO PARA FAZÊ-LO!

O corpo é um organismo VIVO, que conforme vai sendo estimulando da maneira correta irá se ADAPTAR ao estímulo dado. Se o estímulo for muito, ele vai avisar que é muito com uma lesão. Se o estímulo for pouco, ele não vai fazer nada e nem mudar nada.

Acredito que aconteça estes "misunderstanding" pela migração/globalização das áreas. Vejam bem, isso não é ruim! Mas a falta de preparo e poder de análise dos profissionais são um problema.
Um professor da musculação vê um exercício do pilates, acha legal e vamos passar...
Por que? Não sei, mas é legal!
Um professor que trabalha com treinamento funcional vê uma sequência (bi-set, tri-set, etc) de um profissional da musculação, acha legal, e vamos lá... Vamos passar!
Por quê? Puts, porque a aluna dele saiu morta do treino...

Não procuram se aprofundar um pouco na área, conhecer, expor seu próprio corpo à tal, para depois ter opnião formada. Só olham, e mandam bala, passam pra frente ou falam mal.

Então o SISSY SQUAT é ruim? NÃO!
É para todo mundo fazer? NÃO!

Mas as pessoas deveriam se preparar. Estimular seus tendões e articulações. Na ginástica, circo, e outras modalidades acrobáticas estes exercícios e outras variações são utilizadas para preparar as articulações e fazer um fortalecimento prévio para outros movimentos, para diminuir o risco de lesão. Mas tudo de forma progressiva e lenta. Diferente do conceito de musculação, por exemplo, que as pessoas pedem uma mudança significativa em 2-3 meses.

Então pensem: exercício, como qualquer medicamento; para ser BOM e fazer BEM depende de QUEM, QUANTO, QUANDO, COMO e ONDE! Se faltar resposta justa e certa para umas das palavras ditas acima, o risco é ALTO não só para o Sissy Squat, mas também para o Deadlift, Back Squat, Front Squat, Snatch, Clean & Jerk, Handstand, etc, etc, etc.



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O Tempo, o Estresse, a Causa e o Efeito!

O Tempo, o Estresse, a Causa e o Efeito!
por Alexandre Castro Alves

Muitas coisas na vida você pode parar, mas uma das coisas que você não pode parar é o tempo. Ele vai passar... É só uma questão de tempo.

Quando as pessoas vêem meus alunos treinando e depois (ou as vezes na mesma hora) me abordam ou abordam meus alunos perguntando: "nossa, que legal, com quanto tempo de treino dá para fazer igual ela(e)?"
Geralmente não respondo, mas quando respondo vejo logo o "deixa pra lá" nos olhos do indivíduo.

Os movimentos que chamam mais atenção, óbvio, levam muito mais tempo para serem executados.

Sou feliz por ter 90% dos meus alunos de longa data (2 anos ou mais). Os mais avançados batem mais de 3 anos de treino embaixo da minha asa, geralmente começando sem ao menos fazer uma única barra.

Então sabemos que o crucial para melhorar é: O tempo!

Não importa o que você quer na vida. Saiba que o melhor movimento, o melhor da vida, exige tempo.
O corpo demora para regenerar, reconstruir, se adaptar, etc e etc. Nada significativo acontece do dia para a noite. Precisa de repetição e paciência. O melhor sempre está por vir...

Um dentista precisa de tempo para corrigir um dente torto (geralmente 1 ano ou mais), mas ele corrige! Já disse isso antes, mas não custa repetir: já ouvi muitas vezes, de muitos professores, que flexibilidade só muda significativamente se treinar desde pequeno. Isso foi a pior besteira (ok, uma das...) que já ouvi na minha carreira.

Como já sabia Julius Wolff (1836-1902) no século XIX, os ossos e outros tecidos irão se remodelar como resultado de um estresse aplicado ao tecido. Isso ficou chamado como Lei de Wolff.

O curioso nisso tudo não é o fato da adaptação. A adaptação já é sabida cientificamente hà mais de 200 anos atrás. O curioso quanto a isso é sobre o estresse...

...Quanto, quando, como e onde? ;-)

Lembre-se: você fazer um treino, um estudo, um trabalho ou seja lá o que for de um "jeito porcaria", o tempo vai passar. Se fizer um treino, um estudo, um trabalho ou seja lá o que for de um "jeito sangue nos olhos", o tempo vai passar também.

O mesmo tempo que você usa para fazer algo fútil, poderia ser usado para algo útil. A diferença entre meninos/meninas e homens/mulheres é que os últimos fazem o que tem que fazer, sem se preocupar com por quanto tempo farão.

Disse uma vez meu pai: "preguiçoso faz trabalho dobrado!".

Aproveitem o tempo de vocês.
Leiam bons livros.
Assistam bons filmes.
Aprendam de bons professores e bons amigos.
Brinquem de boas brincadeiras.
Se espelhem em boas pessoas, em bons artistas.

Assim você irá galgar degrau a degrau rumo ao seu objetivo... E ele chegará... Custe o tempo que custar!


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A Utilização da Potenciação Pós-Tetânica + Vantagem Mecânica

por Alexandre Castro Alves

Quase um mês sem escrever nada tanto na página quanto no site. Com alguns projetos em andamento, incluindo um maior foco no meu treinamento e alimentação, a vida 'online' está escassa por hora. Mas bem... Grandes conquistas são feitas de sacrifícios. A meta atual é publicar ao menos um artigo por mês, então eis que este é o escrito para representar Julho.

Existem um milhão de métodos no treinamento de força, e todos os que funcionam tem base e explicação na fisiologia do exercício (bioquímica) e biomecânica do movimento (física). Um fenômeno que pode ajudar muito à aumentar a intensidade de determinado estímulo é a Potenciação Pós-Tetânica: a qual explica-se que após uma contração muscular intensa, ocorre o favorecimento da ativação das fibras e maior capacidade de gerar força. Algumas explicações fisiológicas para o fenômeno são as alterações nas concentrações de neurotransmissores¹, fluxo de íons de sódio e potássio² e acúmulo de íons de cálcio no sarcoplasma³.

Este método é um método utilizado no treinamento com pesos, porém é facilmente transferível para o treinamento com exercícios com o peso corporal (calistenia e street workout), afinal a unica diferença é o trabalho com o peso corporal ao invés de utilização de cargas externas.
Com o auxílio da vantagem e desvantagem mecânica pode-se dosar a intensidade nos exercícios, como já foi visto e demonstrato algumas vezes aqui no site.



É infinito os formatos que podem ser utilizados. Depende basicamente do objetivo principal do indivíduo. No caso do vídeo de exemplo utilizo um estímulo mais pesado com 3 repetições e na sequência um mais leve para 8 repetições, com objetivo de aumento de massa muscular e força. Para eficácia no aumento da força relativa deve-se utilizar configurações de repetições mais baixas (até 5 reps). Por exemplo: 1º exercício: 2 reps + 2° exercício: 4 reps.
Pode-se também ondular as séries, por exemplo:
Exercício A = 2 reps
Exercício B = 4 reps
Exercício C = 3 reps
Exercício D = 6 reps
Exercício A = 3-4 reps
Exercício B = 5-6 reps

Lembrando que a base do método é o conceito de que se você faz um esforço grande num determinado plano de movimento, após este esforço você estará com mais fibras ativadas e terá uma leve vantagem num estímulo menos intenso na sequência. Como digo aos meus alunos: "isso engana o músculo, basta que façamos um exercício pesadão antes do pesado e faremos o cérebro pensar no pesado como pesadinho".

Simples, não? Só devemos ter cuidado com o abuso do método devido ao trabalho constante com cargas muito altas. O uso da potenciação pós-tetânica será muito mais útil e eficiente se estiver dentro de um planejamento e em um treinamento organizado, para não expor as estruturas articulares à um risco desnecessário às lesões.

Utilizando a vantagem mecânica e o princípio da facilitação pós-tetânica você pode quebrar aquele platô em determinado movimento que deseja alcançar. Cuidado na dosagem da intensidade para cada número de repetições, abaixo segue um esquema para dosagem da intensidade:

Exercício para 1 repetição utilizar carga/variação para 2RM;
Exercício para 2 repetição utilizar carga/variação para 3-4RM;
Exercício para 3 repetição utilizar carga/variação para 4-5RM;
Exercício para 4 repetição utilizar carga/variação para 6RM;
Exercício para 5 repetição utilizar carga/variação para 7RM;
* note que a carga e/ou variação do exercício sempre estará à 1-2 repetições antes da falha muscular.


¹ Kadlec O, Masek K, Seferna I. Post-tetanic potentiation at the nerve-muscle junction in the longitudinal muscle of the guineapig ileum. Possible role of substance P. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol. Vol.326, n3, pp:262-7, 1984.
² Bostock H, Bergmans J. Post-tetanic excitability changes and ectopic discharges in a human motor axon. Brain Vol.117, n5, pp:912-28, 1994
²,³ Nussinovitch I, Rahamimoff R. Ionic basis of tetanic and post-tetanic potentiation at a mammalian neuromuscular junction. Journal of Physiology. Vol.396, pp:435-55, 1988
³ Kawata H, Hatae J. An analysis of post-contracture potentiation in frog twitch skeletal muscle. Japan Journal of Physiology. Vol.42, n6, pp:917-28, 1992.
³ Kretz R, Shapiro E, Kandel ER. Post-tetanic potentiation at an identified synapse in Aplysia is correlated with a Ca2+- activated K+ current in the presynaptic neuron: evidence for Ca2+ accumulation. Proccedings of the National Academy of Sciences of USA. Vol.79, n17, pp:543-4, 1982.
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